terça-feira, 2 de outubro de 2018

Era uma vez

Me disseram que já fui um átomo. 
Talvez, um hidrogênio, desprovido de princípio inteligente. 
Teria sido? ...não sei.

Evoluí (?) para uma molécula (do quê, não sei), talvez, H2O (água).

Um pulo do gato que ninguém explica e virei um ser vivo unicelular, tipo Ameba. Interessante constatar que depois de passados bilhões de anos, o que foi esse Ameba continua Ameba, sem traço de evolução, uma mutação talvez, mas sem evolução. Essa teoria é meio estranha, porque não explica tudo. 

Só sei que já fui um espermatozoide do meu pai, venci milhões de concorrentes e fecundei um óvulo da minha mãe. Isso sim, é um fato comprovado.













Finda a Segunda Guerra Mundial em 1945, a família Nakano tinha se refugiado na província de Saitama, vizinha de Tokyo, no meio das plantações e construíra um barraco para a família. Minha mãe não podia se alimentar direito porque a família perdera tudo durante os bombardeios em Tokyo.

Dia 23 de novembro de 1947: o dia do parto começou com a contração de manhã, passou o dia inteiro com os alarmes falsos e meu irmão Mitsuo ficava esquentando a água várias vezes, até que às 18:23 h começou o trabalho de parto. Meu pai foi o parteiro. Nasci quase morto, sem ter forças para chorar. Meu pai fez várias reanimações para que eu desse o primeiro choro, rouco e sussurrado. Um médico veio ver como foi o parto e disse que eu não viveria mais que uma semana. Nascera extremamente fraco, quase sem vida...  

Minha mãe fez de tudo para me alimentar, mas o seu leite havia secado. Nas vizinhanças havia cabra e ela pediu um pouco do seu leite para ver se eu aceitava. Foi o que deu certo. E assim eu sobrevivi. Minha mão, desde essa época, era toda enrugada e continua até hoje...   

Depois de alguns meses, eu engatinhava no meio da plantação de repolho dos outros e brincava de desfolhar os brotos. Claro, eles vinham reclamar e minha mãe só pedia desculpas e mandava a minha irmã cuidar de mim...   

Certa vez, minha irmã caminhava me segurando no colo e tropeçou numa pedra. Caiu e me soltou. Eu caí de testa no chão porque a minha cabeça era meio grande em ralação ao corpo e cortei o supercílio. Ainda tenho essa marca no rosto. Foi um pequeno acidente...   

Passados 5 anos, eu me lembro que já estava na cidade de Tokyo, numa casa assobradada de madeira, perto do rio Sumidagawa. Minha mãe deu um vermífugo e acabei soltando monte no corredor... Dei trabalho para minha mãe...   

Quando eu tinha 7 anos, me lembro que já estava numa casa no bairro de Suguinami Honan-cho em Tokyo...   

Diario de Bórdo: 2021.11

  ❤ Você está no Brasil, de costumes e hábitos totalmente  diferentes de onde você veio, o que acabou gerando conflitos entre as pessoas do ...